sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Crônica: Metamorfose Ambulante


Eu gosto de ouvir Raul. Talvez por eu ter crescido escutando meu pai tocar as músicas do Maluco Beleza quando a gente se reunia com a família ou com os amigos. O nome dessa música se encaixa perfeitamente com o post de hoje... afinal, somos metamorfoses diárias, quase.


Numa conversa com meu irmão de 11 anos, eu percebi que nascia uma espinha no rosto dele e fiquei meio perturbada pelo fato de ele estar crescendo e que, daqui a alguns anos, ele já vai estar trazendo a namorada pra casa - ou não, rs. Pensamento bobo?! Sei que sim, mas não me culpe por ser a irmã mais velha. Enfim, vamos ao tema do post.


Eu me lembro muito bem da minha primeira espinha. Nossa! Me senti a mais adolescente possível e tinha a certeza de que eu me diferenciava das outras garotas. Estranho pensar que anos depois, a cada aparecimento de uma espinha, seria um gritinho histérico em frente ao espelho... De horror, claro.


A gente deseja tanto alguma mudança e, às vezes, sentimos falta do que éramos antes. Por mais que as espinhas, de certa forma, simbolizem a nossa passagem pra adolescência, a infância acaba deixando saudades... Saudades de quando o futuro parecia algo bem distante, que não merecia preocupações naquele instante e, assim, poderíamos continuar assistindo desenho animado.


O colégio parecia uma tortura sem fim. Eu contava quantos anos faltavam pra que eu pudesse concluir o Ensino Médio e adorava inventar uma desculpa qualquer pra ir ao colégio com a blusa nova que havia comprado e com aquele jeans que ficava bem no corpo. Hoje, uma farda até seria bem-vinda para que eu não precisasse me preocupar se a blusa que eu quero vestir hoje, eu já não usei semana passada - questões femininas, confesso. E nem preciso comentar sobre as amizades que a gente faz nos tempos de colégio e das histórias cômicas que vamos vivendo.


As mudanças foram necessárias, uma hora ou outra, elas tinham que vir. E elas não vão parar tão cedo... mas, o que se pode tirar de bom são as experiências que são proporcionadas. Por mais que a faculdade não seja como nos colégios, cada momento vai ser vivido pra não ser esquecido, porque isso também acaba. E cada amor vai ser sentido como se fosse o último, porque, talvez, realmente seja.


É, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.


Título:. 'Metamorfose Ambulante', Raul Seixas.



Por: Jordânia Caetano.

Nenhum comentário: